Jan 21
Autodidactismo
“I have never let my schooling interfere with my education.” - Mark Twain
É fácil compreender que o autodidactismo seja uma causa bastante significante de evolução intelectual, quanto mais não seja através de dados empíricos. Das mentes mais notáveis que alguma vez existiram, podemos extrair uma característica comum: a aprendizagem auto-induzida. Pensando um pouco (lá está…), o avanço científico não ocorre sem inovação. E a inovação não vem nos livros.
Objectivos
O que caracteriza um bom aluno? A nossa sociedade resolve este problema com pura aritmética de inteiros de base 20, em que cada indivíduo é julgado através de um número. De notar que não estou a propor nenhum sistema alternativo baseado em medidas qualitativas - seria o caos. Onde quero chegar é aos objectivos de cada um de nós. Será que queremos ser bons alunos?
Realmente, será que alguém que tenha revolucionado alguma coisa teve como objectivo de vida ser bom aluno? Não me parece.
No entanto, e é importante ter isto em mente, é necessário perceber a razão de ser da educação que nos é fornecida: a preguiça natural do ser humano. É preciso que tenhamos alguém constantemente a lembrar-nos dos nossos objectivos. Porém, alguns anos de educação transformam lembranças em sugestões e não tarda nada são obrigações. E aí, cada indivíduo perde a distinção entre os seus objectivos e os impostos pelo sistema educacional.
Um autodidacta é aquele que procura aprender
É incrível ver estudantes queixarem-se que não aprendem certas matérias, ou que simplesmente recusam-se a aventurar em estudos que não fazem parte do currículo escolar. É uma simples questão de dar o passo inicial e aprender sozinhos. Um estudante não deveria ter como objectivo percorrer um caminho partilhado com tantos outros e definido por alguém que não tem qualquer conhecimento dos interesses pessoais de cada um.
É importante possuir um campo comum, mas isso não deve ser tudo na educação duma pessoa.
Velocidade
Gosto imenso de caracterizar um professor através do tempo que é necessário para a disciplina leccionada pelo mesmo, fora das aulas. E entre as disciplinas que me causaram mais interesse, consigo tirar uma conclusão: todas elas requereram um esforço imperceptível e eficaz da minha parte durante as aulas, o que se reflectiu num trabalho quase nulo fora delas. Isto porque um bom professor e uma matéria de interesse para o aluno são os principais factores duma boa aprendizagem.
E não é isso que o autodidactismo tem de melhor? Um assunto de interesse e um professor tão rápido e eficaz quanto o desejarmos.
Na prática
Penso que cada um de nós pratica algum acto de autodidactismo todos os dias, através de pequenas acções. Porém, muitos não se apercebem do seu potencial e deixam essa característica intelectual trancada e fora dos estudos.
Aprender por nós próprios é uma característica fundamental que qualquer estudante devia ter em mente a toda a hora e acreditar sinceramente no seu potencial.








January 22nd, 2008 at 12:59
Concordo plenamente com a visão do sistema de ensino e da relutância generalizada em auto-aprender. Sempre achei que o ensino devia ser mais dirigido por objectivos e não tanto de acordo com um trajecto pré-traçado. E isto a todos os níveis - quer ao nível da disciplina, quer ao nível do curso em si. Acabamos por ter de aproximar os nossos interesses na escolha de um curso, em vez de escolhermos aquilo que pretendemos aprender. E no final de tudo ficamos com um conjunto de conhecimentos base, adquiridos no abstracto e por vezes sem os conseguirmos relacionar com a prática.
Segundo sei, nas pós-graduações tudo muda um pouco visto que tens de investigar por ti para realizar a tese. No entanto, acho que seria muito benéfico introduzir uma educação mais personalizada, mesmo que guiada, bem mais cedo.
January 22nd, 2008 at 13:05
Sem dúvida. Tem mesmo que ser mais cedo, uma pós-graduação vem após 15 anos de escolaridade, no mínimo!
January 22nd, 2008 at 23:02
bah… estudasses.